- O café está em 98% dos lares brasileiros. O ambiente digital ficou ainda mais relevante para marcas que querem capturar demanda com precisão.
- No case do Mercafé, loja oficial do Grupo 3corações, o principal avanço veio do retargeting, que ajudou a recuperar interesse, aumentar conversão e estimular recompra.
- O resultado foi uma operação com mais escala e impacto real em pedidos e receita, com leitura estratégica mais madura sobre crescimento.
O mercado de café no Brasil continua sólido, presente na rotina e profundamente conectado ao consumo recorrente. Em 2025, o país consumiu 21,409 milhões de sacas, manteve o café presente em 98% dos lares e seguiu como o segundo maior consumidor do mundo. Ao mesmo tempo, o comportamento de compra ficou mais criterioso, o que aumenta o valor de estratégias capazes de reconectar interesse com conveniência e confiança.
Esse cenário ajuda a explicar por que o retargeting no e-commerce de café ganhou tanto peso. Quando a categoria já faz parte do dia a dia, o desafio raramente está em apresentar o produto pela primeira vez. O ponto central passa a ser acompanhar a jornada, reduzir a perda entre visita e compra e manter a marca presente até o momento em que a decisão amadurece.

Por que o retargeting faz sentido no mercado de café
O café tem uma característica valiosa para o digital: ele combina descoberta, hábito e recompra. A própria ABIC mostra que os produtos certificados no estilo especial cresceram mais de 300%, embora ainda representem um nicho pequeno dentro do volume total do varejo. Isso indica um mercado que continua abrindo espaço para valor agregado, experiência e curadoria.
Ao mesmo tempo, o e-commerce de alimentos e bebidas segue avançando no Brasil. Em 2024, o setor cresceu 18,4%, e dados citados pela E-commerce Brasil com base na NielsenIQ indicam que 60% dos brasileiros já compram alimentos online. Para marcas de café, isso torna o ambiente digital ainda mais estratégico, especialmente quando existe interesse inicial, mas a conversão não acontece na primeira visita.
Na prática, esse é o terreno ideal para o retargeting. Ele permite reencontrar consumidores que já demonstraram intenção, com mensagens mais aderentes ao momento de compra e à lógica natural de reposição de uma categoria recorrente.
O desafio do Mercafé antes da estratégia
Antes da estruturação do retargeting, o Mercafé convivia com um desafio comum a muitos e-commerces, mas especialmente sensível no café especial: havia interesse, navegação e consideração, porém parte relevante dessa intenção se perdia entre a visita e a compra.
Segundo Igor Carvalho, especialista de mídia e performance do Mercafé, loja oficial do Grupo 3corações, a jornada do consumidor costuma começar pela exploração. Muitos usuários chegam ao site interessados em descobrir novos cafés, entender diferenças de origem, torra e métodos de preparo, além de avaliar qual experiência de consumo faz mais sentido para o seu perfil.
À medida que o consumidor avança nessa jornada, outros fatores passam a ganhar peso na decisão: clareza das informações sobre o produto, credibilidade da marca, experiência de navegação, conveniência no processo de compra e confiança na entrega.
Sem uma estratégia consistente de reengajamento, parte dessas interações acabava se transformando apenas em visitas pontuais ou compras isoladas, com menor evolução para recorrência. O desafio, portanto, não era apenas converter melhor no primeiro contato, mas manter o Mercafé presente ao longo de uma jornada que naturalmente se constrói em etapas até a decisão de compra.

Como o retargeting passou a atuar na jornada
Com a revisão da operação, o retargeting ganhou um papel mais estruturado dentro da estratégia. A lógica deixou de ser apenas reimpactar usuários e passou a trabalhar o momento certo da jornada, reconectando a marca com pessoas que já haviam demonstrado interesse real nos produtos.
Na percepção do Mercafé, loja oficial do Grupo 3corações, os anúncios personalizados passaram a funcionar como um ponto de reconexão com consumidores que já conheciam a plataforma, aumentando a taxa de conversão e recuperando oportunidades que antes se perdiam ao longo do funil. Esse movimento também ajudou a elevar o LTV, já que reforçou o relacionamento com clientes que voltam a comprar com frequência.
Esse é um ponto especialmente importante no café. Como se trata de um produto de reposição natural, o retargeting funciona muito bem quando entra como lembrete conveniente e contextualizado, sem interromper a experiência. Ele acompanha o ritmo da categoria e contribui para tornar a jornada mais fluida.
O branding começou a entrar mais recentemente como apoio a essa construção. Seu papel foi ampliar a presença digital e alimentar o topo da jornada. Ainda assim, neste case, o protagonismo segue com o retargeting. Foi ele quem sustentou, de forma mais direta, a reconexão com a intenção já existente. E também ajudou a transformar esse interesse em compra e recompra.
Resultados da campanha e o que eles mostram
Os números ajudam a mostrar a força dessa evolução. No comparativo entre os períodos analisados, a operação registrou:
- +1029,62% em impressões
- +804,69% em cliques
- +1204,62% em receita
- +1203,51% em pedidos
- +1964,30% em investimento
O ROI teve variação de -36,79%, mas esse ponto precisa ser lido com contexto. A redução foi resultado de uma decisão estratégica conjunta. O objetivo era ampliar o poder de compra de mídia e permitir uma operação mais escalável. Como resultado, a campanha ganhou volume. A receita cresceu. Os pedidos também avançaram, de forma mais alinhada ao potencial da conta.
O que torna esse resultado especialmente positivo é a combinação entre comportamento de categoria e execução. Em um mercado recorrente, a compra tende a ser mais intencional. O digital também já ocupa um espaço mais consolidado nessa jornada. Por isso, esse avanço em receita e pedidos revela algo importante. A estratégia passou a capturar melhor a demanda que já existia.
O que esse case ensina para marcas de consumo recorrente
O estudo de caso do Mercafé mostra que, no mercado de café no Brasil, o retargeting pode ter um papel muito mais estratégico do que simplesmente recuperar carrinhos. Quando bem estruturado, ele ajuda a transformar descoberta em conversão, compra em recorrência e tráfego em crescimento mais consistente.
Também fica claro que categorias recorrentes pedem leitura de jornada, e não apenas pressão por resultado imediato. O consumidor pesquisa, compara, amadurece a decisão e volta quando encontra confiança, conveniência e um bom motivo para agir. É justamente aí que o retargeting ganha valor.
Para marcas que operam em e-commerce de café, o aprendizado é claro. Quando há interesse real e visitantes qualificados, a oportunidade muda de nível. O foco passa a ser manter presença ao longo da jornada. Depois, reencontrar esse consumidor com mais inteligência.

Quer entender como aplicar uma lógica parecida em uma categoria de consumo recorrente? Falar de retargeting com mais precisão pode ser o passo que separa visita de crescimento real.